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Após vítima mudar de estado, juiz revoga prisão de policial acusado de espancar idoso em elevador

Após vítima mudar de estado, juiz revoga prisão de policial acusado de espancar idoso em elevador

Magistrado levou em conta a apresentação espontânea do acusado e a adoção de medidas cautelares tornam desnecessária a manutenção da prisão preventiva.

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Montagem Repórter MT
Câmeras de segurança flagraram o momento em que a discussão evoluiu para as vias de fato.
 

VINÍCIUS ANTÔNIO
DO REPÓRTERMT

O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 14ª Vara Criminal de Cuiabá, revogou a prisão preventiva do policial civil aposentado Luciano Testa, acusado de lesão corporal e injúria contra um vizinho de 62 anos, e concedeu liberdade provisória mediante o cumprimento de medidas cautelares. O Ministério Público o acusa de ter espancado o idoso dentro de um elevador no Condomínio Ilha dos Açores, em Cuiabá.

Testa está proibido de se aproximar das vítimas e das testemunhas a menos de 300 metros, inclusive por meios eletrônicos. Também não poderá acessar o condomínio, está proibido de deixar a comarca de Cuiabá sem autorização judicial, deverá comparecer mensalmente em juízo para informar suas atividades e terá de manter a suspensão do porte de arma, entregando, em até 48 horas após a soltura, todas as armas de fogo que eventualmente possuir.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o caso ocorreu em 11 de junho deste ano, no elevador do Condomínio Ilha dos Açores, em Cuiabá. A acusação sustenta que Luciano Testa agrediu a vítima com socos e chutes, atingindo o rosto, o pescoço e as costelas, e continuou as agressões mesmo após ela cair no chão. Ainda conforme a denúncia, a esposa da vítima foi empurrada contra o espelho do elevador ao tentar impedir as agressões. O denunciado também teria proferido ofensas de cunho homofóbico.

Ao pedir a revogação da prisão, o advogado Rodrigo Pouso de Miranda sustentou que a custódia cautelar perdeu seu fundamento jurídico após o oferecimento da denúncia.

Segundo a defesa, Luciano Testa responde apenas pelos crimes de lesão corporal leve e injúria, cujas penas máximas não ultrapassam quatro anos. Também argumentou que o ex-policial se apresentou espontaneamente à polícia em duas oportunidades, que não há risco de fuga e que o perigo de reiteração deixou de existir porque as vítimas deixaram o condomínio e passaram a morar em outro estado.

Rodrigo Pouso também defendeu que a manutenção da prisão violava os princípios da proporcionalidade e da homogeneidade, já que uma eventual condenação dificilmente resultaria em cumprimento de pena em regime fechado. Por isso, requereu a substituição da prisão por medidas cautelares diversas.

Na decisão, o juiz Marcos Faleiros da Silva afastou um dos argumentos apresentados pelo Ministério Público, afirmando que a repercussão social do caso e o clamor público não podem servir de fundamento para a manutenção da prisão preventiva. Segundo o magistrado, as decisões judiciais devem ser pautadas exclusivamente na Constituição, na legislação e nas provas constantes dos autos, e não na pressão da opinião pública.

Ao analisar o pedido, Marcos Faleiros concluiu que houve alteração significativa das circunstâncias que motivaram a prisão. O juiz destacou que a mudança das vítimas para outro estado reduziu o risco concreto de novas agressões, que Luciano Testa se apresentou espontaneamente às autoridades policiais, que não possui condenação criminal com trânsito em julgado e que a prisão preventiva passou a ser desproporcional diante da pena provável em caso de eventual condenação. Por isso, entendeu que as medidas cautelares são suficientes para proteger as vítimas e garantir o andamento da ação penal.

Ao , a defesa afirmou que Luciano Testa e a família também deixaram o Condomínio Ilha dos Açores e colocaram o imóvel à venda.

A ocorrência foi registrada por câmeras de segunraça no dia 11 de junho deste ano. A prisão do ex-policial foi decretada no dia 23 e cumprida no último dia 28. No mesmo dia da prisão, Luciano Testa passou por audiência de custódia. De acordo com a decisão, ele foi transferido para a unidade prisional de Chapada dos Guimarães (a 67 km de Cuiabá) por ser policial aposentado.

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