16-05-2012-Turista paulista foi morta por engano em quarto de hotel na BA, diz polícia

Apuração indica que alvo do crime era proprietária do empreendimento.
Mandantes de execução são ex-sócio e ex-marido de dona, que negam.

Do G1 BA

Investigação da Delegacia de Proteção ao Turista de Ilhéus, no sul da Bahia, aponta que a cabeleireira paulista Maria Cecília de Abreu, morta no quarto de um hotel da cidade, foi assassinada por engano. O anúncio foi feito nesta terça-feira (15), quando foram apresentados dois suspeitos, ambos italianos, de serem mandantes do crime. Também está detido um pedreiro, que teria recebido R$ 800 para a execução. De acordo com a Deltur, o alvo era a proprietária do hotel, que também tem origem italiana.

A polícia relata que os italianos presos são ex-sócio e o ex-marido da empresária, detidos dias após o crime, por cumprimento de mandado de prisão. A investigação indica que os autores queriam se apropriar do hotel. A polícia informa que a turista, que era cabeleireira, tinha semelhanças físicas com empresária italiana e, por isso, foi confundida como alvo.

A turista foi sepultada em Angatuba (SP). Ela tinha sido premiada com a viagem ao participar da promoção de uma empresa de cosméticos. A mulher tinha reserva para oito dias de hospedagem no local onde foi morta.

Segundo a polícia, os italianos presos negam participação no crime. O pedreiro foi preso na quinta-feira (10) e confessou ser o responsável pelos três tiros que atingiram a turista. Ele contou à polícia que um homem lhe pagou R$ 800 pelo crime e foi encaminhado para o Presídio Ariston Cardoso, em Ilhéus. O mesmo homem que pagou a encomenda ao pedreiro, segundo a polícia, recebeu R$ 10 mil dos italianos para articular o crime.

Segundo a polícia, o pedreiro admitiu ter entrado no quarto em que estava a turista paulista, acompanhado do homem que lhe pagou e está foragido, além de mais um suspeito que ficou na recepção do hotel, e também está foragido. A polícia apurou que o pedreiro é natural de Feira de Santana e se mudou para Ilhéus há 40 dias em busca de trabalho. Há a informação de que ele seria usuário de drogas. 

Os italianos foram apontados como mandantes do crime depois que a polícia analisou imagens do circuito de segurança do hotel em que aparece um automóvel usado pelos suspeitos para fuga. A polícia descobriu que o veículo foi alugado por um dos italianos na véspera do crime. No dia, os três suspeitos de executarem o crime foram até o hotel, renderam duas recepcionistas e o padeiro que entregava pães no café-da-manhã dos hóspedes, e perguntaram qual era o quarto ocupado pela dona imóvel, que morava no local.

Os suspeitos arrombaram a porta do quarto que havia sido ocupado dois dias antes pela empresária, mas que, naquela manhã, já estava vazio. A polícia conta que os suspeitos resolveram invadir, então, o quarto em frente e, no local, encontraram a turista paulista e uma amiga.  Eles anunciaram assalto e, em seguida, atiraram na cabeleireira paulista, que morreu no local. Os criminosos levaram a bolsa da amiga da vítima, mas não roubaram o dinheiro do caixa do hotel, nem os pertences que estavam na recepção, descreve a polícia.

Os dois italianos foram autuados por homicídio e estão custodiados na 7ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Ilhés). A polícia ainda informa que as buscas pelos dois suspeitos que estão foragidos já foram intensificadas.