27-12-2011-Hanseníase: MT ocupa o 1º lugar no ranking nacional

Escrito por A Folha do Estado.

Com quase 82 casos de hanseníase para cada grupo de 100 mil habitantes, Mato Grosso ocupa atualmente a 1ª posição no ranking nacional da doença. O resultado que se refere ao último levantamento de epidemicidade da doença no Estado realizado em 2010 pela Secretaria Estadual de Saúde, aponta ainda que Cuiabá possui uma média de 56 casos para cada 100 mil habitantes. Esses números contribuem para que o Brasil ocupe o 2º lugar no ranking mundial em número de portadores da doença, perdendo apenas para a Índia.

Conhecida também por mal de hansen - por ser causada pelo bacilo de hansen -, a doença pode permanecer encubada no organismo de dois a sete anos. O vírus é conhecido cientificamente por Mycrobacterium leprae. Por isso, era chamada antigamente de lepra e por não ter tratamento era a causa de mutilamento e de membros como dedos das mãos e pés.

Mesmo com a redução de casos e com mobilização das unidades de Saúde do município e em nível estadual e federal por meio de campanhas preventivas e assistência contínua nas regiões endêmicas, a responsável pela equipe de Hanseníase e Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Silvana Benevides, destaca que os índices continuam sendo alarmantes. "Já foi registrada a queda de 8 casos para cada 100 mil habitantes ao ano no Estado mais ainda é preciso que a população fique alerta. Uma das maiores dificuldades no trabalho de controle é conseguir conscientizar familiares do portador da doença a fazer o teste para saber se está contagiado pelo bacilo”, ressalta Silvana. Como a fase inicial da hanseníase que pode durar entre um a três anos, não apresenta lesões e nem dor ao paciente, este acaba não se preocupando muito e se prevenir, mesmo que conviva com alguém infectado. Para os profissionais da saúde este é um motivo de preocupação, devido a grande probabilidade da doença ser contraída por meio de tosses, espirros ou também pelas próprias lesões não tratadas. A fase com lesões, que geralmente é a que leva o paciente a buscar tratamento, já se caracteriza como a forma agravante da hanseníase, que também costuma apresentar febre, dor e nódulos pelo corpo.

Apesar do empenho do Ministério da Saúde em lutar para combater a hanseníase, disponilibilizando o tratamento gratuitamente pelas redes públicas de saúde, outro fato apontado por Silvana Benevides pelo contínuo avanço dos casos, é a falta da conclusão do tratamento, que na maior parte das vezes é abandonado antes da cura total da doença.

Segundo a técnica, em Mato Grosso foi feito um trabalho de treinamento com médicos, enfermeiros e agentes de saúde que integram as redes de atenção da saúde da família os PSFs, com objetivo de orientar quanto a prevenção, detecção, por meio dos testes de diagnósticos e também tratamento da hanseníase. Como o governo, por meio da secretaria estadual tem a meta de estender ainda mais estas unidades até o primeiro semestres de 2012, a previsão é que este serviço também deve ser ampliado, conforme Silvana.

“Geralmente o que mais se fala, quando o assunto é hanseníase, é que a doença provoca manchas esbranquiçadas indolores e que mais tarde podem virar lesões, mas o que não costuma ser enfatizado, é que a doença também compromete os nervos periféricos, responsáveis por conduzir sensibilidade à dor e à temperatura, e controlar as funções automáticas do organismo. Esse comprometimento pode levar a incapacidade física temporária ou definitiva”, alerta.

Alcance

A incidência maior de hanseníase é nos adultos, mas a doença pode ser transmitida a crianças se não forem adotados cuidados básicos. "Existe um número de formas

"Existe um sem número de formas de o contágio ser efetivado. Se uma família inteira está com hanseníase, é fato que houve descuido geral, facilitando a proliferação das microbactérias (via oral e outras formas) pelo ambiente. Sabe-se que a maior fonte de transmissibilidade ocorre pela pele do doente, que normalmente apresenta lesões iniciais (manchas) sem qualquer indicativo de dor ou outro incômodo. A hanseníase está igualmente relacionada a um saneamento básico deficiente, um dos grandes problemas nacionais, presente em quase todos os territórios brasileiros", observou a responsável da equipe da doença na SMS.

 

Ivone Lima / pontaldoaraguaianews.com