25-11-2011-Polêmica da divisão volta a rondar Mato Grosso

A proposta de divisão de Mato Grosso tem gerado polêmica na Assembleia Legislativa. As opiniões dos deputados estaduais são divergentes quando o assunto é a criação dos Estados do Araguaia e do Mato Grosso do Norte.

O projeto propondo a divisão foi apresentado pela primeira vez em 1995 pelo deputado federal Wellington Fagundes (PR). Anos depois, foi integrado a outro e reapresentado pelo senador Mozarildo Cavancanti (PTB/RR), que também assina autoria do projeto de divisão do Pará.

No dia 3 de dezembro o assunto será debatido no Estado durante o “I Fórum Dividir para Crescer”, que será realizado na cidade de Porto Alegre do Norte, distante 1.125 quilômetros de Cuiabá.

Dos oito parlamentares consultados pela reportagem, cinco se posicionaram contrários à proposta e três a favor. Um dos principais críticos à política separatista é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva (PSD).

O parlamentar ressalta o alto custo da criação de um novo Estado, o que tornaria o projeto inviável. “Para criar um novo Estado é necessário investir algo em torno de R$ 1 bilhão e não vejo viabilidade e nem vontade do governo federal de criar novos estados. Ao invés de gastar com divisão, poderíamos utilizar esses recursos para consolidar a ferrovia e pavimentar as principais vias de acesso como as BRs 158, 242 e a MT-100, a fim de manter Mato Grosso unido”, defende.

Embora faça parte da base aliada do governador Silval Barbosa (PMDB), ele admite que o governo do Estado tem sido ausente com a região do Araguaia. No entanto, avalia que a divisão não é a solução para os problemas. “Se o sentimento de divisão começa a ficar forte na região é em função dessa ausência, mas a partir do momento que o governo tiver presente as coisas vão mudar. Temos que aumentar os investimentos no Araguaia e manter um estado único”, pondera.

O deputado Dilmar Dal’ Bosco (DEM) avalia que o momento não é propício para as discussões, pois, em sua visão, o governo do estado tem se empenhado para melhorar a situação do Araguaia. “É fato que a situação se encontra isolada, mas o governador está preocupado em mudar isso. Tanto que conseguiu R$ 1,5 bilhão para fazer a interligação dos municípios, o que irá contribuir para o desenvolvimento da região”, diz.

Para Carlos Avalone (PSDB), Mato Grosso está “em um momento de integração e não de divisão”. O deputado afirma que o Estado não possui condições para enfrentar uma divisão e que ao invés de se fortalecerem, os novos territórios ficariam fracos.

A mesma opinião é compartilhada por Ademir Brunetto (PT) e Emanuel Pinheiro (PR). Ele acredita que, com o fracionamento, “Mato Grosso ficará pobre e o Araguaia, miserável”.

O republicano afirma que a ideia de rachar Mato Grosso tem sido alimentada por outros entes da federação, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que temem que o Estado ocupe a liderança econômica nacional. “Nosso Estado é um dos responsáveis pelo fechamento positivo da balança comercial brasileira. Estamos nos desenvolvendo cada vez mais e o Brasil está começando a descobrir nosso potencial econômico e isso causa preocupação”.

Posicionam-se favoráveis à divisão os deputados Percival Muniz (PPS), Zeca Viana (PDT) e Luciane Bezerra (PSB). Muniz ressalta a necessidade de desmistificar a ideia de que divisão prejudica o “Estado-mãe” e acredita que a criação de um novo estado fomentará crescimento na região. Além de compartilharem da mesma opinião de Muniz, os deputados Zeca Viana e Luciane Bezerra avaliam que a proposta só será viável se o Estado for dividido em três partes. “Isso se os novos estados receberam apoio do governo federal para se erguerem, claro”, conclui Bezerra.

Diário de Cuiabá

 

 

Por: Ivone Lima / pontaldoaraguaianews.com