19-10-2011-Índios mantém sete reféns em protesto a construção de uma usina.

Índios kaiabi protestam contra a construção de uma usina hidrelétrica, na divisa de Mato Grosso e Pará. Os nativos mantem reféns dois funcionários da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e cinco técnicos da Funai.

As informações repassada pela assessoria de Imprensa da Funai. o sequestro dos servidores chegou ao órgão federal, em Brasília, na manhã desta terça-feira(18).

Segundo a assessoria a Funai já recebeu as reivindicações e expediu comunicado aos índios explicando os passos da demarcação física.

Os nativos são contrários à construção da Usina Hidrelétrica de São Manuel, que ainda não recebeu licença ambiental do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

No dia anterior, 18 de agosto, o Ibama havia publicado o aceite do EIA/RIMA da Usina Hidrelétrica (UHE) São Manoel, mais uma hidrelétrica também no rio Teles Pires. Os estudos ambientais do projeto da UHE São Manoel estão sendo analisados no Ibama, mas num processo independente da UHE Teles Pires.

O outro projeto, UHE Foz do Apiacás (que será licenciado pelo estado do MT e não pelo Ibama), está planejado para ser construído na foz do rio Apiacás no Teles Pires bem ao lado da UHE São Manoel e exatamente na divisa da Terra Indígena Kayabi e Munduruku.

Em julho de 2011, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentaram uma complementação ao ECI da UHE São Manoel, pedida pela Funai. No início deste ano a Funai havia emitido um parecer questionando a avaliação dos impactos dos dois empreendimentos sobre as comunidades indígenas, no ECI de agosto de 2010.

O ECI das UHE São Manoel e Foz do Apiacás tem como foco principal os impactos sobre as comunidades indígenas que estão nas áreas de influência dos projetos, em particular nas Terras Indígenas (TI) Kayabi e Munduruku. Três etnias diferentes vivem nessas terras: Apiaká, Kayabi e Munduruku.

Segundo a assessoria da Funai, os sete reféns estão bem e não foram vítimas de agressão. Eles apenas não podem deixar o local.

 


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Publicação: Ivone Lima / pontaldoaragaianews.com