17-01-2012-Como transformar veneno em dólares

Administrador de empresas está em Mato Grosso ministrando o curso de criação de serpente, cujo veneno pode valer muito no exterior

 

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

Um negócio pouco conhecido, mas que vem ganhando espaço no Brasil pode gerar uma renda de até R$ 8 mil por mês e ainda colaborar para a produção de medicamentos que combatem o câncer, a pressão alta, hemorragias e doenças neurológicas. Além disso, também pode ser usado pela indústria cosmética para atenuar linhas de expressão e rejuvenescer homens e mulher.

A prática é um pouco arriscada, criar cobras venenosas, mas, segundo o administrador de empresas Marcos Francote, muito rentável e econômica, já que para começar se gasta somente cerca de R$ 250 na montagem de um local.

Francote está em Cuiabá para ministrar cursos sobre o assunto. Segundo ele, o importante não é o curso em si, mais sim a aprendizagem de uma nova “profissão” que dê lucro. “O importante não é o curso e sim um negócio para ganhar dinheiro”, diz. Sua afirmação se deve ao fato de o veneno de cobra ser um dos produtos mais caros comercializados no mercado internacional. Ele afirma que o veneno vale muito mais do que o ouro. Um exemplo disso é veneno retirado da cobra coral, cujo grama chega a valer cerca de R$ 7 mil na Europa.

O veneno é extraído do animal de forma líquida e depois passa por todo um processo de secagem, podendo ser armazenado por meses. A comercialização é feita no exterior, pois no Brasil não há mercado.

De acordo com Marcos, a criação de cobras venenosas só é permitida pelo Ibama em áreas rurais. Desta forma, os futuros criadores da espécie devem providenciar uma área de no mínimo 400 m² para a instalação das baias onde vão ser colocadas as cobras. Depois do processo de instalação, o criador deve solicitar as cobras junto ao Ibama ou instituições que criam o animal em cativeiro.

O administrador ressalta que é muito importante que as baias tenham o chão forrado com grama. Como as cobras se alimentam somente uma vez por mês, o custo de manutenção não é caro. “A cobra come um ratinho por mês; apenas a coral come, ao invés de rato, uma outra cobra de qualquer outra espécie que seja menor que ela”, diz.

O que pode sair um pouco mais caro é a visita dos veterinários para retirada dos venenos. Segundo ele, a substância só pode ser extraída por um médico, pois ele tem maior habilidade e experiência no manejo dos animais. Além do mais, o veneno da cobra é mortal, e quem não souber manuseá-lo pode correr sério risco.

Francote ministrará o curso de educação ambiental e gestão comercial de serpentário em seis municípios do Estado: Primavera do Leste (18 de janeiro), Rondonópolis (19), Jaciara (20), Cuiabá (21), Sinop (26) e Alta Floresta (27).

Além de Marcos, o professor alemão Stefan Tutzer, um dos maiores especialistas no assunto, também estará presente, dando dicas para os interessados. O valor do curso é de R$ 250, com direito a um DVD filmado em serpentário autorizado pelo IBAMA, um certificado reconhecido internacionalmente e também um modelo de serpentário.

Mais informações no telefone (11) 4681-2027 e no site www.venenodecobra.com

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