16-01-2012-Estudante de Direito chefiava assaltos a residências

·  De classe média alta, em Cuiabá, Anderson Vieira, 25 anos, contratava adolescentes para roubar casas

MidiaNews/Polícia Civil

DA REDAÇÃO

A Delegacia de Roubos e Furtos revelou, nesta semana, que o chefe de uma quadrilha que assaltava casas de bairros de classe média da Capital é o estudante universitário Anderson da Silva Vieira, de 25 anos.

Acadêmico de Direito, ele trancou matrícula meses antes de colocar em prática um plano que resultou em 14 assaltos a várias casas em Cuiabá e teria rendido, pelo menos, R$ 150 mil para a quadrilha.

Como somente mais dois adultos faziam parte do esquema e pagavam R$ 200 para cada um dos seis adolescentes que ajudavam em cada assalto, ele ficou com a fatia maior do lucro, segundo a Polícia Civil.

Preso desde o dia 22 de dezembro de 2011, Anderson é de uma família de classe média alta – o pai é proprietário de uma construtora e a mãe, coordenadora jurídica de uma universidade de Cuiabá, conforme informações da Polícia.

Para policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (Derrf) da Capital, Anderson optou pelo mundo do crime como “profissão”, embora não tenha dificuldades financeiras e nem é usuário de drogas, o que poderia explicar os roubos.

Segundo a polícia, os assaltos começaram em março do ano passado. Nessa época, ele já tinha trancado matrícula do curso de Direito, numa faculdade particular de Cuiabá.

No entendimento dos policiais, Anderson não era um assaltante qualquer, pois ele planejava e supervisionava as ações criminosas. E, em todos os assaltos, os garotos contratados pela quadrilha faziam uma verdadeira limpeza nas casas.

Mais dois adultos também ajudavam nos assaltos. Um deles, Wagner Rai Ramos, 26, é considerado um "especialista" em roubos a residências.

“Morando numa quitinete alugada, era mais fácil para ele ficar de olho nos locais onde ocorreriam os assaltos. A pretensão de morar no bairro era monitorar as residências alvos”, disse a delegada Elaine Fernandes, responsável pelas investigações.

A quitinete servia também para esconder os produtos roubados.

O esquema desenvolvido pelo estudante de Direito envolvia o aluguel de quitinetes nos bairros onde os roubos ocorreram.

No próprio Boa Esperança, onde Anderson morava, Jardim Petrópolis, Jardim Itália, Coophema e Carumbé, que também fazia parte do "portfólio" da quadrilha.

Com a demarcação das residências, o próximo passo era escalar os adolescentes para assaltar. Sem a menor cerimônia, ele usava o Corsa Classic prata de sua propriedade para transportar os infratores.

“Ele (Anderson) chegava a buscar os adolescentes na porta das escolas e os levava para os locais dos roubos”, explicou a delegada Elaine Fernandes.

Pelas listas apresentadas pelas vítimas, os ladrões roubavam sempre pertences de maior valor e fáceis de serem revendidos a atravessadores.